Em uma entrevista em 2023, Robert Redfield, ex-diretor dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), expressou preocupações graves sobre a possibilidade de uma nova crise sanitária global envolvendo a gripe aviária.
Redfield destacou que esta catástrofe poderia resultar de pesquisas de ganho de função que acabassem escapando de um ambiente controlado de laboratório, sugerindo que tal ameaça poderia superar a severidade da crise gerada pela Covid-19.
O ex-diretor do CDC tem defendido publicamente a tese de que o coronavírus teve origem em instalações científicas em Wuhan, na China, o que eleva o tom de sua preocupação com experiências biológicas semelhantes no presente.
O Perigo Real das Pesquisas de Ganho de Função
Redfield sustenta a tese de que o próximo evento pandêmico não apenas é provável, mas trará consequências muito mais drásticas. Ele costuma classificar a experiência recente do coronavírus como um evento de menor proporção quando comparado ao potencial destrutivo da ameaça latente da gripe aviária.
Enquanto o contágio natural — conhecido como spillover, que ocorre quando patógenos saltam de animais silvestres ou de criação diretamente para os seres humanos — permanece no radar dos especialistas, o ponto central do alerta reside nos experimentos laboratoriais.
O conceito de ganho de função envolve alterações genéticas intencionais em microrganismos. O objetivo dessas manipulações costuma ser ampliar a transmissibilidade, alterar a afinidade por hospedeiros humanos ou elevar a letalidade do agente infeccioso.
A preocupação central é que a falha em protocolos de contenção permita a liberação acidental de cepas altamente modificadas na natureza.
Entre o Escape Laboratorial e o Bioterrorismo
Redfield enfatiza que os riscos vão além de um simples descuido em bancadas científicas. Há também a perspectiva sombria do uso intencional desses agentes como armas biológicas.
Caso cepas da gripe aviária sejam adaptadas em laboratório para garantir a transmissão eficiente entre pessoas, o cenário geopolítico e sanitário mundial entraria em rota de colisão com uma emergência sem precedentes.
Registros históricos de publicações científicas apontam que, anos atrás, pesquisadores já demonstravam métodos para alterar vírus respiratórios, permitindo que eles se unissem a receptores celulares específicos em modelos animais humanizados.
Esses experimentos levantaram debates intensos sobre os limites éticos e os perigos inerentes a linhas de investigação que priorizam a ampliação de poderes patogênicos.
Vigilância Sanitária e Alertas Atuais
No cenário atual, autoridades sanitárias globais intensificaram os monitoramentos diante de relatos frequentes de infecções em criações de aves, gado leiteiro e eventuais casos esporádicos em trabalhadores do setor agropecuário.
Esses episódios reforçam a necessidade de protocolos rígidos de bios biossegurança e de um acompanhamento transparente de patógenos com potencial epidêmico.
As declarações de Robert Redfield servem como um lembrete severo sobre a importância de políticas públicas preventivas e de uma regulação internacional mais severa sobre o manejo de agentes biológicos de alto risco.
O Histórico de Alertas do Ex-Diretor do CDC
Esta não é a primeira vez que o especialista vocaliza sua preocupação com o tema. Já em 2022, o The WinePress destacou uma entrevista onde ele estimava taxas de letalidade elevadas para uma eventual variante aviária adaptada aos humanos.
Sim, acho que temos que reconhecer, sempre disse que acho que a pandemia de Covid foi um alerta. Não acredito que seja a grande pandemia.
Acredito que a grande pandemia ainda está no futuro, e essa será uma pandemia de gripe aviária para o homem. Vai ter mortalidade significativa na faixa de 10 a 50%. Vai ser um problema.
E devemos nos preparar muito bem para isso. Eu acredito que o risco da pandemia é um risco maior para a segurança nacional dos Estados Unidos mais do que a Coreia [do Norte], China, Rússia, Irã; e devemos começar a investir proporcionalmente a esse risco de segurança nacional para que estejamos preparados.
Infelizmente não estamos mais preparados hoje do que quando a pandemia [de Covid-19], quando eu era diretor do CDC. E precisamos fazer investimentos proporcionais para que estejamos preparados, inclusive para aumentar nossa capacidade de fabricação.
Então, agora que temos uma nova tecnologia como a tecnologia de mRNA: é ótimo que eu possa fazer uma vacina em 2, 4, 6, 8 semanas. Mas não me ajuda se eu não conseguir fabricar 330 milhões de doses.
Então, essa é uma questão séria. Não acho que nossos políticos estejam focados na magnitude dessa questão. Isso precisa ser abordado com uma perspectiva orçamentária medida em vários porta-aviões, não no orçamento de 5, 8,10 milhões de dólares que gastamos em saúde pública nesta nação.
Posteriormente, em 2023, Redfield reforçou seus argumentos em conversa com o The Hill, reiterando suas suspeitas sobre a origem laboratorial de possíveis surtos futuros:
Eu acredito que a próxima pandemia, e nós vamos ter outra pandemia e eu acho que vai ser a grande pandemia. Considero a Covid uma pandemia menor, a grande pandemia vai vir.
E, normalmente, viria do spillover – gripe aviária que aprende a transmitir para humanos e depois vai para humano-para-humano. Mas acho que as barreiras das espécies são muito reais.
Mas é muito mais provável que isso aconteça por causa de pesquisas de ganho de função em laboratório e depois escapem e depois tenhamos uma pandemia... que será muito mais brutal para o mundo do que foi a Covid.
Eu falei que a grande pandemia está chegando. Acho que não virá de transbordamento, virá de pesquisa de ganho de função ou bioterrorismo intencional. Tudo bem, vai ser um vírus da gripe aviária que é manipulado para poder transmitir de humano para humano, muito parecido com o que vimos com a Covid.
Você sabe que em 2014 esse laboratório publicou que eles finalmente aprenderam a pegar seu vírus Covid e fazer com que ele se ligasse ao receptor H2 e humanizasse camundongos e, portanto, poderia ir de humano para humano.
Desafios na Resposta Global e Segurança de Imunizantes
Diante da atenção constante da grande mídia sobre a circulação do vírus em animais de criação e de pastejo, governos e entidades científicas enfrentam o desafio de alinhar transparência sem gerar pânico desnecessário.
A cooperação entre nações deve priorizar a fiscalização rigorosa de centros de pesquisa avançada para mitigar eventuais falhas humanas em cadeias de contenção biológica.
Paralelamente, especialistas apontam que o desenvolvimento acelerado de contramedidas médicas, como novas gerações de vacinas, exige avaliações cautelosas de segurança a longo prazo para evitar efeitos adversos imprevistos na população em massa.