As fortes chuvas que atingem o Rio Grande do Sul desde a semana passada continuam provocando estragos severos na infraestrutura do Estado. Na manhã desta segunda-feira, cerca de 450 mil consumidores registravam interrupção no fornecimento de energia elétrica, conforme dados divulgados pelas concessionárias locais.
Esse volume de unidades consumidoras sem luz representa quase 10% do total de pouco mais de 5 milhões de clientes cadastrados no território gaúcho, de acordo com informações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Evolução rápida dos apagões
O cenário de desabastecimento vem se agravando de forma acelerada. No final da semana passada, o Estado contabilizava pouco mais de 300 mil clientes sem energia. Com a continuidade dos temporais e a elevação dos níveis dos rios, esse número saltou expressivamente.
A CEEE, empresa pertencente ao grupo Equatorial, informou que sua área de concessão registrava 183 mil clientes sem luz. Desse total, a grande maioria — cerca de 175 mil unidades — teve o fornecimento interrompido por motivos de segurança, seguindo protocolos recomendados pela Defesa Civil, pelo Corpo de Bombeiros e pelas prefeituras locais devido ao avanço dos alagamentos.
Entre os municípios mais afetados na região de atendimento da CEEE estão:
- Eldorado do Sul
- Guaíba
- Porto Alegre
- Alvorada
- Viamão
Impacto na RGE e regiões interioranas
Por sua vez, a RGE, distribuidora do grupo CPFL que atua principalmente no interior gaúcho, apontou que 265,4 mil clientes encontram-se sem eletricidade. O principal obstáculo para o restabelecimento imediato é a inundação de ruas e estradas, que impede o acesso das equipes técnicas aos locais afetados.
As regiões com maior concentração de ocorrências na área da RGE são:
- Região Metropolitana: 84,4 mil clientes
- Vale do Taquari: 67,8 mil clientes
- Vale dos Sinos: 55,8 mil clientes
- Vale do Rio Pardo: 35,4 mil clientes
- Serra: 6,6 mil clientes
- Central: 5,3 mil clientes
- Planalto: 5,2 mil clientes
Apesar das barreiras logísticas, as companhias reforçam que suas equipes permanecem em prontidão para retomar a distribuição de energia assim que as condições de segurança permitirem o acesso às redes danificadas.
Crise climática e danos estruturais
O impacto dos temporais já atingiu mais de dois terços dos municípios gaúchos, resultando em perdas humanas, desalojados e colapsos em serviços básicos, como saneamento e abastecimento de água. A destruição de pontes e rodovias também dificulta a circulação e o socorro às comunidades isoladas.
Além dos problemas na distribuição urbana, a situação das barragens e do sistema de transmissão exige alerta máximo. A Aneel informou que cinco barragens de usinas hidrelétricas estão sob estado de atenção:
- Bugres (barragem Blang e divisa)
- Canastra
- Castro Alves
- Furnas do Segredo
- Monte Claro
Outras duas barragens, pertencentes à usina 14 de Julho — que já sofreu rompimento parcial — e à usina Salto Forqueta, permanecem em situação de emergência.
Fragilidade no sistema elétrico
A crise climática também afetou a geração e a transmissão de energia em pontos estratégicos. A usina térmica Pampa Sul passou por um desligamento durante a madrugada, segundo a Aneel. Além disso, a subestação de energia de Nova Santa Rita segue fora de operação por causa das inundações, o que desativou 16 importantes linhas de transmissão.
"Isso fragiliza a conexão entre os sistemas de transmissão e deixa os sistemas remanescentes sobrecarregados e mais suscetíveis a novas contingências que podem levar a cortes de cargas", alertou a Aneel ao detalhar o impacto do desligamento da subestação.
(Por Letícia Fucuchima - MSN)
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