(Gazeta do Povo) – O cenário geopolítico latino-americano voltou a sofrer forte pressão diplomática após o senador republicano pela Flórida, Rick Scott, enviar nesta quinta-feira (16) uma carta ao presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na comunicação, o parlamentar norte-americano exige uma posição firme e imediata do governo brasileiro frente às declarações recentes do ditador venezuelano Nicolás Maduro.
A provocação de Maduro em Caracas
A polêmica teve início durante o chamado "Festival Internacional Antifascista", realizado em Caracas. O evento integrou a agenda de comemorações da posse contestada de Maduro, fruto do processo eleitoral de 2024 na Venezuela.
Em seu discurso inflamado para apoiadores estrangeiros, o líder chavista colocou a suposta “libertação” de Porto Rico como prioridade contra o que chamou de agenda colonial do norte.
O ponto mais alarmante da fala ocorreu quando Maduro sugeriu publicamente o envolvimento do Brasil nessa investida militar.
O ditador mencionou o uso de tropas brasileiras lideradas pelo fictício ou simbólico "Batalhão Abreu e Lima", associado por ele à Polícia Militar de Pernambuco.
Diante da plateia, Maduro disparou:
“Está pendente a liberdade de Porto Rico, e nós vamos conquistá-la. Com as tropas do Brasil. E Abreu de Lima na frente. Batalhão Abreu e Lima para libertar Porto Rico, o que acha?”
A cobrança direta de Rick Scott ao Planalto
Em sua carta aberta ao governo do Brasil, Rick Scott classificou o governante venezuelano como um tirano que oprime o próprio povo e definiu a retórica como uma ameaça inaceitável contra os Estados Unidos.
Para o senador americano, a ausência de uma condenação formal por parte de Brasília pode ser interpretada pelos observadores internacionais como sinal de cumplicidade.
O parlamentar destacou:
🇺🇸🇧🇷🇻🇪 Senador americano Rick Scott, um aliado de Donald Trump, envia carta a Lula pedido que Brasil se manifeste sobre ameaça feita por Nicolás Maduro de “libertar” Porto Rico usando tropas brasileiras. pic.twitter.com/xfAQJHqk5b
— Jakelyne Loiola (@Jakelyneloiola_) January 17, 2025
Segundo o republicano, o hemisfério ocidental merece explicações claras. Ele cobrou que o Planalto utilize palcos diplomáticos, como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a Organização das Nações Unidas (ONU), para repudiar a postura de Caracas.
Scott argumentou que tratar tais declarações como mera bravata política é um erro perigoso, visto que a soberania e a imagem do Estado brasileiro acabam manchadas pela sugestão de envolvimento em agressões militares.
Repercussão internacional e alianças regionais
A reação à fala de Maduro ultrapassou as fronteiras dos Estados Unidos e gerou revolta no próprio território porto-riquenho.
A governadora de Porto Rico, Jenniffer González Colón, expressou profunda indignação e acionou diretamente o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, pedindo uma resposta enérgica.
Em sua manifestação, González enfatizou a gravidade de ver um ditador recém-empossado propor abertamente uma invasão estrangeira.
Além da menção a Porto Rico, o discurso de Maduro incluiu ameaças de pegar em armas para combater o que classifica como fascismo, anunciando abertamente o estreitamento de laços e planos militares conjuntos com Cuba e Nicarágua.
O posicionamento exigido das democracias
Na visão do senador norte-americano, nações democráticas da América Latina possuem a responsabilidade moral e institucional de frear o avanço de regimes autoritários na região.
Scott lembrou que o território venezuelano tem servido de base e abrigo para potências globais rivais dos EUA, a exemplo da China, da Rússia e do Irã.
Portanto, o alinhamento retórico ou a omissão diante de planos bélicos colocam em risco a estabilidade de todo o continente.
Silêncio oficial em Brasília
Até o momento do fechamento desta reportagem, o governo brasileiro evitou se pronunciar publicamente sobre o episódio.
Veículos de imprensa, incluindo a Gazeta do Povo, buscaram posicionamentos formais junto ao Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e à Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, mas não obtiveram retorno.
O espaço permanece aberto para eventuais esclarecimentos oficiais por parte do governo federal.