Depois de anos prometendo prosperidade, crescimento e melhoria no poder de compra da população, o governo agora tenta se apresentar como o “salvador” de uma crise que muitos enxergam como consequência direta de suas próprias decisões governamentais/ política, econômicas e sociais.
Enquanto impostos aumentam, o custo de vida dispara e o trabalhador vê seu dinheiro desaparecer antes do fim do mês, surge o chamado "Desenrola 2.0", que na verdade, vai mais enrolar, como uma espécie de “cura” para um problema que o próprio governo provocou.
Para muitos brasileiros, fica a sensação de que primeiro apertaram o cerco sobre quem produz e trabalha, para depois oferecer alívio temporário como estratégia política — transformando o cidadão endividado em dependente de renegociações constantes, em vez de enfrentar as causas reais provocadas pela administrão do PT.
Quando quase metade da população adulta do país não consegue honrar suas contas, não se trata apenas de um indicador econômico — é um sintoma de falhas estruturais na gestão pública. Em março de 2026, o Brasil atingiu um marco histório e preocupante ao nível de possível colapso: 82,8 milhões de inadimplentes, segundo dados da Serasa.
Por trás desse número, há histórias de famílias que perderam renda, comerciantes que fecharam as portas e trabalhadores que veem o salário desaparecer antes do fim do mês. A pergunta que não quer calar: como chegamos a esse ponto?
Os dados revelam uma realidade dura: o valor médio da dívida por pessoa chega a R$ 6.728,51 — valor superior ao salário mínimo vigente. São R$ 557 bilhões em débitos inadimplentes, distribuídos em 338,2 milhões de obrigações.
Quase metade desse montante (47%) concentra-se no setor financeiro, com destaque para cartões de crédito e empréstimos bancários. Mas não é apenas o crédito que pesa: 21% das dívidas referem-se a contas básicas como água, luz e gás, isso sem contar, alimentos, saúde, etc. Quando o cidadão deixa de pagar o essencial, é sinal de que o orçamento doméstico já colapsou.
Como a gestão econômica do governo chegou ao seu bolso
A trajetória que levou a esse cenário não é acidental. Políticas fiscais expansionistas sem contrapartida de produtividade, aumento da carga tributária sobre consumo e produção, e insegurança jurídica para investimentos criaram um ambiente hostil à geração de emprego e renda.
Com o desemprego ou perda de renda citados por 38% dos entrevistados como principal motivo do endividamento, fica claro: a raiz do problema está na incapacidade de manter fluxos de receita estáveis. Quando o governo prioriza gastos correntes em vez de reformas estruturais, o resultado é inflação de alimentos, juros elevados e crédito caro — uma combinação que sufoca o orçamento familiar.
O ciclo vicioso da sua dívida
Para o cidadão comum, o mecanismo é perverso: perda de renda leva ao uso do cartão de crédito para cobrir despesas básicas; os juros rotativos do cartão, entre os mais altos do mundo, transformam uma pequena dívida em bola de neve; sem perspectiva de melhora, o pagamento de contas essenciais é postergado.
O resultado é um nome negativado, dificuldade de acesso a novos créditos e, em muitos casos, exclusão financeira. Programas de renegociação, como o anunciado Desenrola 2.0, podem oferecer alívio pontual momentáneo e a longo prazo, um ciclo vicioso de endividamente ainda maior, mas não rompem esse ciclo se não forem acompanhados de medidas que restabeleçam a capacidade de geração de renda.
O que isso significa na prática
Na ponta do lápis, a má gestão macroeconômica se traduz em escolhas dolorosas no dia a dia: deixar de comprar medicamentos, adiar consultas médicas, reduzir a qualidade da alimentação ou trabalhar em condições precárias para complementar a renda.
Para pequenos comerciantes, o cenário é ainda mais grave: com o consumo das famílias retraído, as vendas caem, os estoques encalham e o caixa minguar. A inadimplência, então, deixa de ser um problema individual e se torna um fenômeno coletivo que compromete o funcionamento da economia como um todo.
Reflexão para o futuro
Reduzir a inadimplência exige mais do que campanhas de renegociação em ano eleitoral. É preciso enfrentar as causas estruturais: simplificar o sistema tributário, reduzir o custo do crédito, estimular a geração de empregos formais e garantir segurança jurídica para investimentos.
Enquanto o debate público se concentrar em medidas paliativas, o cidadão continuará pagando a conta — literalmente. A recuperação econômica sustentável depende de escolhas difíceis, mas necessárias.
E o primeiro passo é reconhecer que números como 82,8 milhões de inadimplentes não são estatísticas abstratas: são pessoas reais, com nomes, famílias e direitos que merecem políticas públicas eficazes, não apenas promessas temporárias.