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Deficiência de iodo pode aumentar o risco de nódulos na tireoide, aponta estudo

Meta-análise relaciona baixos níveis de iodo ao aumento do risco de nódulos na tireoide e alerta para os perigos do excesso.

Deficiência de iodo pode aumentar o risco de nódulos na tireoide, aponta estudo

Um novo estudo reforça a importância do iodo para a saúde da tireoide e sugere que a deficiência desse nutriente pode estar ligada ao aumento do risco de nódulos tireoidianos. A pesquisa, publicada na revista Frontiers in Endocrinology, reuniu dados de 25 estudos e mais de 54 mil participantes.

Segundo a meta-análise, indivíduos com baixos níveis de iodo apresentaram uma probabilidade 31,5% maior de desenvolver nódulos na tireoide em comparação com pessoas com ingestão adequada do mineral. Os pesquisadores também observaram que o excesso de iodo pode trazer riscos, reforçando a importância do equilíbrio nutricional.

A análise incluiu dados de 54.621 participantes e registrou 13.569 casos de nódulos na tireoide. Os resultados mostraram uma associação consistente entre baixos níveis de iodo e maior risco de alterações na glândula.

Embora a maioria dos nódulos tireoidianos seja benigna, os autores destacam que fatores nutricionais frequentemente recebem pouca atenção durante a investigação clínica.

Além da deficiência, a ingestão excessiva de iodo — acima de 300 microgramas por litro — também foi associada a problemas na função tireoidiana, incluindo maior risco de hipotireoidismo subclínico.

Os achados reforçam que tanto a falta quanto o excesso do mineral podem interferir no funcionamento adequado da tireoide.

Por que a falta de iodo afeta a tireoide?

O iodo é um nutriente essencial para a produção dos hormônios tireoidianos, responsáveis por regular funções importantes do organismo, como metabolismo, temperatura corporal, níveis de energia e desenvolvimento neurológico.

Quando a ingestão de iodo é insuficiente, a produção hormonal diminui. Como resposta, o organismo aumenta a liberação do hormônio estimulante da tireoide, conhecido como TSH.

Esse estímulo contínuo faz com que a glândula tente compensar a deficiência aumentando seu volume e sua atividade, o que pode favorecer o surgimento de nódulos e bócio ao longo do tempo.

Deficiência pode permanecer silenciosa por anos

Especialistas alertam que a deficiência de iodo pode evoluir de forma discreta e permanecer sem sintomas evidentes por longos períodos.

Exames laboratoriais de rotina, que geralmente avaliam os níveis de TSH, T3 e T4, não medem diretamente o status de iodo no organismo. Isso significa que muitas pessoas podem apresentar ingestão inadequada do mineral sem saber.

Segundo os pesquisadores, a deficiência prolongada pode aumentar o risco de alterações estruturais na tireoide, além de estar associada ao desenvolvimento de bócio, distúrbios autoimunes e disfunções hormonais.

Por que a deficiência de iodo pode estar aumentando?

Mudanças nos hábitos alimentares podem contribuir para a redução do consumo de iodo. A recomendação de diminuir a ingestão de sódio, por exemplo, levou muitas pessoas a reduzirem o consumo de sal iodado sem buscar outras fontes do nutriente.

Além disso, pesquisadores apontam que substâncias presentes no ambiente, como fluoreto e brometo, podem competir com o iodo pelos mecanismos de absorção do organismo.

Estimativas citadas pelos autores indicam que uma parcela significativa da população mundial ainda não consome quantidades adequadas de iodo.

Como garantir níveis adequados de iodo

De acordo com as recomendações dos órgãos de saúde, adultos devem consumir cerca de 150 microgramas de iodo por dia. As necessidades podem ser maiores durante a gestação e a amamentação.

Entre as principais fontes alimentares de iodo estão peixes, frutos do mar, algas marinhas, laticínios e o sal iodado.

Outros nutrientes, como selênio, zinco e ferro, também desempenham papéis importantes na função tireoidiana e devem fazer parte de uma alimentação equilibrada.

Quando houver suspeita de deficiência, a avaliação médica é fundamental. A concentração urinária de iodo é considerada um dos métodos mais diretos para analisar o status do nutriente no organismo.

Conclusão

As novas evidências reforçam que a saúde da tireoide depende do equilíbrio nutricional. A deficiência de iodo pode aumentar significativamente o risco de nódulos tireoidianos, enquanto o excesso do mineral também pode comprometer a função da glândula.

Manter uma alimentação variada, rica em fontes naturais de iodo e acompanhada por orientação profissional quando necessário, pode ser uma estratégia importante para preservar o funcionamento adequado da tireoide.

Para pessoas com restrições alimentares ou necessidades específicas, suplementos que combinem iodo, selênio e zinco podem ser considerados com orientação de um profissional de saúde. A suplementação sem acompanhamento adequado não é recomendada, especialmente em casos de doenças tireoidianas preexistentes.