OVNIs: Demônios se passam por alienígenas diz o principal exorcista de Washington

Monsenhor Stephen Rossetti afirma que muitos avistamentos de OVNIs podem ter origem demoníaca e alerta para riscos espirituais da "enganção alienígena

OVNIs: Demônios se passam por alienígenas diz o principal exorcista de Washington

O que os fenômenos luminosos no céu, naves de formato incomum e relatos de abdução têm em comum com o mundo espiritual? Para o sacerdote que lidera o exorcismo na Arquidiocese de Washington, nos Estados Unidos, a resposta surpreende: muitos desses eventos podem não ter origem extraterrestre, mas sim demoníaca. 

Em meio ao crescente interesse por arquivos governamentais recém-divulgados sobre objetos voadores não identificados, monsenhor Stephen Rossetti decidiu abordar publicamente um tema que costuma ficar restrito a círculos teológicos e de espiritualidade.

Rossetti, que também dirige o Centro São Miguel para a Renovação Espiritual, não tem dúvidas sobre sua posição. Em um vídeo publicado recentemente, ele afirmou: “Pessoalmente, acredito que muitos, senão a maioria, desses avistamentos de OVNIs são, na verdade, demônios”. 

A declaração ganhou repercussão justamente em um momento em que o governo dos Estados Unidos, sob a administração Trump, tornou públicos documentos até então classificados sobre encontros militares com objetos aéreos de comportamento inexplicável.

O sacerdote não descarta, em tese, a possibilidade de existirem formas de vida extraterrestre. Mas sua convicção pessoal é que, se elas existem, Deus não teria revelado nada sobre isso nas Escrituras — e, mais importante, os fenômenos que se apresentam como alienígenas ou naves espaciais carregam características que, segundo ele, se alinham mais à descrição clássica de manifestações demoníacas do que a visitantes de outros planetas.

Um dos argumentos levantados por Rossetti é o seguinte: os relatos de OVNIs frequentemente descrevem manobras que desafiam a física conhecida — mudanças bruscas de direção, acelerações instantâneas, desaparecimentos repentinos. Para o exorcista, esses feitos estão além da capacidade humana e também além do que seria possível para uma tecnologia alienígena dentro das leis da natureza. 

Demônios, por outro lado, sendo espíritos puros dotados de inteligência e poder (embora limitados pela permissão divina), poderiam realizar tais proezas para causar admiração e, com isso, desviar a atenção das pessoas do que realmente importa.

“Eles gostam de se esconder. Não querem que saibamos quem realmente são”, explica Rossetti. O disfarce, nesse caso, seria uma estratégia: se um demônio se apresenta como um ser de outro mundo, poucas pessoas associarão aquela experiência à possessão, à tentação ou ao mal. E, assim, o demônio age nas sombras, manipulando comportamentos sem ser identificado.

"Não tenho dúvida pessoal ... acredito pessoalmente que provavelmente muitos, senão a maioria desses avistamentos de OVNIs são, na verdade, demônios", disse Rossetti, acrescentando que os demônios podem realizar feitos que os humanos são incapazes de fazer, como os observados em avistamentos de OVNIs, como mudar de trajetória em velocidades aparentemente impossíveis."

O perigo da "grande enganação" segundo teólogos católicos

Rossetti não é o único a defender essa interpretação. O filósofo católico Daniel O'Connor vem alertando há anos sobre o que chama de "enganação alienígena". A ideia central é que a sociedade está sendo gradativamente condicionada a aceitar a existência de vida extraterrestre como algo normal e até benéfico. Filmes, séries, livros e, mais recentemente, reportagens sobre arquivos desclassificados contribuem para essa "aclimatação".

O'Connor compara o processo a um sapo sendo fervido aos poucos: a água esquenta lentamente, e ele não percebe o perigo até que já é tarde demais. No caso, o "aquecimento" seria a exposição contínua à ideia de que alienígenas existem, são inteligentes e talvez até tenham algo importante a nos ensinar. O passo seguinte, temem os teólogos, seria a aceitação de uma suposta "revelação alienígena" — uma mensagem vinda dos céus que poderia contradizer ou substituir os ensinamentos do Evangelho.

O'Connor cita um trecho bíblico específico para fundamentar seu temor: 2 Tessalonicenses 2:9-12, onde se lê que o "fora da lei" virá com todo tipo de poder, sinais e maravilhas falsas, e que Deus permitirá uma "forte ilusão" para que as pessoas acreditem na mentira. Para o filósofo, essa "forte ilusão" pode muito bem tomar a forma de uma aparição alienígena global, cuidadosamente orquestrada.

O que a Bíblia diz sobre batalhas espirituais e enganos

Rossetti, ao fazer seu argumento, recita um trecho clássico da carta de São Paulo aos Efésios: “A nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas contra os principados, contra as potestades, contra os governantes das trevas deste mundo, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestes”. Para ele, essa passagem é clara: o inimigo espiritual é real, ativo e capaz de interferir no mundo físico. E, quando o faz, pode assumir formas que parecem externas à Terra — como luzes no céu ou seres humanoides.

O sacerdote relata um episódio recente em que uma pessoa com um dom especial de discernimento viu a fotografia de um OVNI e imediatamente identificou: “Isso é um demônio”. Casos como esse, segundo Rossetti, são mais comuns do que se imagina nos círculos de exorcismo e libertação espiritual.

Há ainda a questão das "comunicações" supostamente extraterrestres. Rossetti conta o exemplo de uma mulher que tentava se conectar com a avó falecida por meio de escrita automática (uma prática conhecida como psicografia involuntária). Inicialmente, as mensagens eram carinhosas e reconfortantes. Com o tempo, tornaram-se agressivas e perturbadoras. 

A mulher percebeu, então, que não estava conversando com sua avó, mas com uma entidade enganadora — um demônio que se passava pela falecida. O paralelo com os OVNIs, para o exorcista, é direto: se um demônio pode fingir ser uma avó querida, por que não poderia fingir ser um visitante de outro mundo?

Conclusão: um debate entre fé, ciência e o desconhecido

A declaração do exorcista-chefe de Washington reacende uma discussão antiga, que ganha novos contornos a cada desclassificação de arquivos militares: o que realmente são os OVNIs? Para a maioria dos cientistas, a resposta honesta é "não sabemos". Para uma parcela de entusiastas, são naves de civilizações avançadas. Para teólogos como Rossetti e O'Connor, são manifestações do maligno, tentando desviar a humanidade do caminho espiritual correto.

Não há consenso — e provavelmente não haverá tão cedo. O que o debate revela, no entanto, é algo curioso: tanto a ufologia quanto a teologia lidam com aquilo que escapa à explicação imediata. Ambas olham para o mesmo fenômeno e enxergam realidades diferentes. Cabe ao público, diante das evidências (ou da falta delas), formar sua própria opinião. 

Para os católicos mais tradicionais, o recado de Rossetti é um alerta contra a curiosidade ingênua: nem todo ser que aparece nos céus merece confiança. Para os demais, fica a recomendação de manter os pés no chão — e os olhos abertos, para o céu e para o que ele pode ou não esconder.

📖 Aprofunde sua compreensão espiritual: Para quem deseja entender melhor os fundamentos da batalha espiritual mencionada por Rossetti, uma leitura clássica e acessível é o livro "O Exorcista Explica o Demônio", do Padre Gabriele Amorth, que foi exorcista-chefe de Roma por décadas. A obra oferece um olhar prático e documentado sobre como a Igreja Católica distingue manifestações espirituais autênticas de fenômenos psicológicos ou naturais — incluindo aparições que podem se disfarçar de algo que não são.