Foto: Alexey Chudin / Pexels
A quercetina é um flavonoide encontrado naturalmente em alimentos como cebola, maçã, frutas vermelhas, alcaparras e chá. Nos últimos anos, esse composto passou a receber atenção por causa de seu potencial antioxidante e anti-inflamatório, levando ao aumento da procura por suplementos.
Embora muitos estudos apontem benefícios promissores, a maior parte das evidências ainda vem de pesquisas laboratoriais e estudos observacionais, enquanto ensaios clínicos em humanos continuam em desenvolvimento.
Na prática, isso significa que a quercetina pode ser uma aliada para a saúde quando faz parte de uma alimentação rica em vegetais. Já o uso em cápsulas exige cautela, especialmente por pessoas que utilizam medicamentos ou possuem doenças crônicas.
O que é a quercetina?
A quercetina pertence ao grupo dos flavonoides, compostos produzidos naturalmente pelas plantas para proteção contra fatores ambientais. Quando consumidos na alimentação, esses fitoquímicos também exercem diversas funções benéficas no organismo humano.
Pesquisas recentes sobre flavonoides mostram que eles participam da proteção celular contra o estresse oxidativo e podem colaborar para o funcionamento do sistema cardiovascular, imunológico e cerebral. Entretanto, não existe uma recomendação oficial de ingestão diária para suplementos de quercetina estabelecida por órgãos reguladores.
1. Ajuda a combater o estresse oxidativo
Um dos efeitos mais conhecidos da quercetina é sua ação antioxidante. Ela ajuda a neutralizar radicais livres, moléculas instáveis que podem danificar células, proteínas e o DNA quando produzidas em excesso.
Esse processo está relacionado ao envelhecimento celular e ao desenvolvimento de diversas doenças crônicas. Consumir alimentos ricos em flavonoides pode contribuir para reduzir esse dano oxidativo ao longo da vida.
2. Pode favorecer a saúde do coração
Estudos sugerem que a quercetina pode contribuir para a proteção cardiovascular por diferentes mecanismos. Entre eles estão a redução da oxidação do colesterol LDL — conhecido como colesterol "ruim" — e a diminuição de processos inflamatórios associados ao endurecimento das artérias.
Pesquisas também relacionam alimentos ricos em flavonoides, especialmente frutas e vegetais de coloração vermelha e roxa, com menor risco de doenças cardiovasculares quando fazem parte de uma dieta equilibrada.
3. Atua contra processos inflamatórios
Experimentos em laboratório mostram que a quercetina consegue reduzir a produção de substâncias inflamatórias, como algumas citocinas envolvidas na resposta do sistema imunológico.
Essa característica explica por que o composto vem sendo estudado em diferentes áreas da saúde. Apesar dos resultados positivos em pesquisas experimentais, ainda são necessários estudos clínicos maiores para confirmar esses efeitos em diferentes populações.
4. Pode fortalecer a resposta imunológica
Os flavonoides participam da regulação das células de defesa do organismo. Frutas naturalmente ricas em quercetina, como o sabugueiro (elderberry), são utilizadas tradicionalmente para apoiar o sistema imunológico.
Durante a pandemia de COVID-19, a quercetina despertou interesse científico por apresentar mecanismos observados em laboratório relacionados à entrada de vírus nas células. Porém, isso não significa que o suplemento previna ou trate infecções, já que as evidências clínicas permanecem limitadas.
5. Pode beneficiar o cérebro
Pesquisadores também investigam o possível papel da quercetina na proteção das células nervosas. Seu efeito antioxidante pode ajudar a reduzir processos associados ao envelhecimento cerebral.
Revisões recentes sobre hábitos relacionados à saúde cognitiva incluem alimentos ricos em flavonoides entre os fatores que podem contribuir para a manutenção das funções cerebrais ao longo dos anos.
6. Pode auxiliar o metabolismo
Algumas pesquisas sugerem que flavonoides participam da regulação metabólica, influenciando processos ligados ao controle do peso e ao equilíbrio hormonal.
No entanto, os estudos específicos com suplementos de quercetina em seres humanos ainda são poucos. Por isso, não há evidências suficientes para afirmar que ela provoque emagrecimento por si só.
Onde encontrar quercetina naturalmente
Uma das formas mais simples de aumentar o consumo desse flavonoide é investir em uma alimentação variada.
- Cebola
- Maçã
- Frutas vermelhas
- Alcaparras
- Chá verde e chá preto
- Uvas
- Vegetais folhosos
No Brasil, cebola, maçã e chá estão entre as fontes mais acessíveis para consumo regular.
Suplementos funcionam?
Os suplementos fornecem quantidades muito maiores de quercetina do que a alimentação. Isso pode ser útil em pesquisas clínicas, mas não significa que doses elevadas tragam mais benefícios para todas as pessoas.
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Até o momento, não existe uma dose diária oficialmente recomendada pelas principais autoridades regulatórias. Também faltam estudos sobre o uso contínuo durante muitos anos.
Quem deve ter cuidado
A quercetina costuma apresentar boa tolerabilidade quando utilizada em doses moderadas. Mesmo assim, alguns usuários relatam desconforto gastrointestinal leve.
Outro ponto importante são as possíveis interações medicamentosas. Estudos indicam que ela pode alterar o efeito de alguns remédios, incluindo determinados anti-histamínicos e medicamentos utilizados para controlar a pressão arterial.
Por esse motivo, pessoas que fazem tratamento contínuo, gestantes, lactantes e indivíduos com doenças crônicas devem conversar com um profissional de saúde antes de iniciar qualquer suplementação.
O que dizem as pesquisas atualmente
O conjunto das evidências mostra que a quercetina possui propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e potencial para contribuir com a saúde cardiovascular, imunológica e cerebral. Ainda assim, muitos resultados promissores observados em laboratório precisam ser confirmados em estudos clínicos de maior qualidade.
Enquanto novas pesquisas avançam, a estratégia mais consistente continua sendo manter uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes e outros alimentos naturalmente ricos em flavonoides, obtendo não apenas quercetina, mas uma combinação de compostos bioativos que atuam de forma complementar.
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