Estudo aponta relação entre vacinação contra COVID-19 e autismo em crianças

Pesquisa analisa dados governamentais dos EUA e identifica associação entre vacinação infantil contra COVID-19 e transtornos como autismo e TDAH.

Estudo aponta relação entre vacinação contra COVID-19 e autismo em crianças

Um estudo populacional inédito examinou a relação entre a vacinação infantil contra a COVID-19 e o desenvolvimento de autismo e outros transtornos neurológicos. O trabalho analisou dados do governo dos Estados Unidos para comparar crianças vacinadas e não vacinadas, com foco em indicadores de saúde pública e desenvolvimento infantil.

A pesquisa, intitulada "Desfechos do Neurodesenvolvimento em Crianças Vacinadas contra COVID-19 nos EUA: Análise da Pesquisa Nacional de Entrevistas de Saúde, 2022–2024", foi conduzida por uma equipe de especialistas liderada por Nicolas Hulscher, em colaboração com pesquisadores como M. Nathaniel Mead, Carol Taccetta, John A. Catanzaro, Robyn A. Honea e Peter A. McCullough.

O levantamento utilizou informações da primeira pesquisa populacional realizada até o momento sobre o tema, baseando-se no National Health Interview Survey (NHIS). O NHIS é uma das principais fontes de dados sobre a saúde da população civil norte-americana, conduzido pelo National Center for Health Statistics (NCHS), que integra os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos.

Resultados e principais desdobramentos estatísticos

A investigação examinou uma amostra representativa de 21.990 crianças norte-americanas com base em entrevistas domiciliares contínuas. Os pais ou responsáveis forneceram informações detalhadas sobre o histórico de vacinação, diagnósticos médicos, uso de serviços de saúde, saúde mental e características socioeconômicas.

Ao comparar crianças vacinadas contra a COVID-19 com aquelas que não receberam os imunizantes, os pesquisadores observaram probabilidades significativamente maiores de diagnósticos específicos no grupo vacinado:

  • Autismo: aumento de 32%
  • TDAH: aumento de 33%
  • Qualquer transtorno do neurodesenvolvimento: aumento de 23%
  • Uso de educação especial: aumento de 19%
  • Asma: aumento de 24%
  • Ansiedade: aumento de 27%
  • Uso de medicamentos para saúde mental: aumento de 57%
  • Terapia de saúde mental: aumento de 60%

Essas estimativas foram obtidas por meio de modelos estatísticos ajustados para variáveis como idade, sexo, ano da pesquisa, raça e etnia, renda familiar, escolaridade dos pais, cobertura de seguro saúde, região geográfica, consultas de rotina e fonte usual de atendimento médico.

Sinais mais fortes na primeira infância e efeito de dose

O sinal estatístico mais marcante relacionado ao autismo foi identificado em crianças mais jovens, especialmente na faixa etária entre 5 e 7 anos. Nesse grupo, crianças que haviam recebido três ou mais doses de vacinas contra a COVID-19 apresentaram chances 154% maiores de receber um diagnóstico atual de autismo em comparação com aquelas que não receberam nenhuma dose.

Os pesquisadores destacam que essa faixa etária é um período crítico para o desenvolvimento cerebral, da linguagem, comportamental, social e educacional, além de coincidir com a idade em que muitas crianças recebem diagnósticos de autismo. Outro aspecto relevante identificado foi um padrão de resposta à dose: as chances de múltiplos transtornos aumentaram proporcionalmente conforme o número de doses administradas.

Metodologia, controles e limitações do estudo

Para testar a robustez dos resultados, os autores aplicaram análises de sensibilidade e estratégias de ajuste rigorosas. A associação com o autismo persistiu mesmo após o controle de fatores socioeconômicos, acesso à saúde, histórico de hospitalizações e uso de medicamentos. 

Além disso, a vacinação contra a gripe foi utilizada como controle negativo, permitindo avaliar o impacto do envolvimento geral com o sistema de saúde.

Os autores enfatizam que, embora o estudo aponte um sinal estatístico importante em nível populacional, a pesquisa possui limitações. Por ser um levantamento transversal, o estudo não estabelece datas exatas de diagnóstico, o que impede de comprovar com absoluta certeza se a vacinação precedeu o diagnóstico em todos os casos. 

Além disso, os dados não detalham o histórico completo de vacinação de rotina recebida em conjunto com as doses contra a COVID-19.

Diante dos achados, os pesquisadores defendem a realização de estudos de coorte de nascimento vinculados a registros médicos longitudinais, com o objetivo de aprofundar a compreensão sobre a segurança dos imunizantes na primeira infância e resguardar o desenvolvimento neurológico infantil. 

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