Câmara dos EUA Condena Moraes por Impedir Bolsonaro de Ir à Posse de Trump

Maioria da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos EUA reprova decisão de Moraes de Reter Bolsonaro

Maioria da Comissão da Câmara dos EUA Reprova Decisão de Moraes contra Bolsonaro

A maioria republicana da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos manifestou forte oposição à decisão recente do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

A medida impediu o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de viajar a Washington D.C. para comparecer à posse de Donald Trump. O posicionamento oficial foi divulgado publicamente através da conta da Comissão na rede social X.

A Reação do Legislativo Americano

Na publicação que repercutiu internacionalmente, os parlamentares americanos não economizaram palavras para defender o ex-chefe de Estado brasileiro e criticar os desdobramentos jurídicos locais.

“Jair Bolsonaro é um amigo dos Estados Unidos e um patriota. Ele deveria ser autorizado a participar da posse do presidente Trump”, afirmou a Comissão.

A iniciativa ocorreu sob a liderança do deputado Brian Mast, reconhecido aliado de Trump. O grupo reflete diretamente o fortalecimento do Partido Republicano após as eleições de novembro, que asseguraram o controle das duas casas do Congresso norte-americano e também da Casa Branca.

O Contraste Político e as Críticas de Eduardo Bolsonaro

No cenário nacional, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, utilizou as redes sociais para repercutir e repudiar a decisão emitida por Moraes.

Escrevendo diretamente em inglês, o parlamentar respondeu à postagem oficial da Comissão norte-americana com duras críticas ao sistema de justiça brasileiro.

“Impedir que Bolsonaro se encontre com Donald Trump, por meio de um juiz que é notoriamente inimigo pessoal de Bolsonaro, coloca a credibilidade das autoridades brasileiras no mesmo patamar das autoridades da Venezuela”, disparou o deputado.

Eduardo foi ainda mais longe em sua análise sobre o panorama político nacional, alertando que, caso o país não consiga reverter o que chamou de cenário de inquisição e perseguição contra a direita, nem mesmo medidas drásticas seriam capazes de salvar a estabilidade institucional em poucos anos.

Os Fundamentos da Proibição Judicial

A recusa da autorização de viagem está atrelada a investigações em curso que apuram uma suposta tentativa de impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no final de 2023.

Desde fevereiro de 2024, o ex-presidente permanece sem passaporte. O documento foi apreendido pela Polícia Federal (PF) durante a deflagração da operação Tempus Veritatis.

Em sua decisão, o ministro Alexandre de Moraes também utilizou declarações públicas dadas por Bolsonaro como justificativa. O magistrado apontou uma publicação realizada em outubro de 2024, na qual o ex-presidente se referia a investigados pelos atos de 8 de janeiro que deixaram o país como “nossos irmãos refugiados na Argentina”.

Para a Suprema Corte, o pedido de devolução do documento de viagem seria inviável devido ao risco concreto de fuga.

Contrapontos e a Defesa da Viagem

Por outro lado, aliados e a defesa argumentam que o histórico recente de Bolsonaro demonstra o oposto. Aponta-se que, antes da retenção do passaporte, o ex-presidente retornou voluntariamente dos Estados Unidos em março de 2023, mesmo com investigações já em andamento.

Além disso, ele esteve presente na posse do presidente da Argentina, Javier Milei, em dezembro de 2023, retornando ao Brasil logo após a solenidade sem qualquer incidente.

Michelle Bolsonaro Representará o Marido

Impedido de deixar o território nacional, Jair Bolsonaro confirmou em entrevista que será representado na cerimônia de posse por sua esposa, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).

O ex-presidente relatou que já manteve conversas com membros da equipe de Trump e que Michelle será recebida com honras no evento. A viagem para Washington D.C. está programada para ocorrer no sábado.

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