Betabloqueadores: Novo estudo questiona uso em infartados

Pacientes com ataque cardíaco estão tomando betabloqueadores desnecessariamente, embora eles não forneçam benefícios claros, concluiu um estudo

Betabloqueadores ajudam apenas METADE dos pacientes com ataque cardíaco, segundo estudo histórico

Pacientes que sofreram um ataque cardíaco estão tomando betabloqueadores de forma desnecessária. Um estudo histórico aponta que esses medicamentos não entregam benefícios claros para uma grande parcela dos enfermos.

Os comprimidos de uso diário costumam ser receitados rotineiramente para a maioria das pessoas que sobrevivem a um infarto. No entanto, o tratamento traz consigo efeitos colaterais indesejados, como fadiga intensa, náuseas e até disfunção sexual.

O impacto na rotina dos pacientes

Cerca de 60.000 pessoas recebem prescrição de betabloqueadores anualmente no Reino Unido. Muitas delas acabam condenadas a tomar as pílulas pelo resto da vida.

A nova pesquisa, contudo, descobriu que para cerca de metade desses pacientes os remédios simplesmente não reduzem o risco de morte ou de novos episódios cardíacos.

Especialistas apontam que essas revelações devem transformar os protocolos de atendimento no NHS. A mudança tem o potencial de livrar dezenas de milhares de pessoas de efeitos colaterais desconfortáveis que afetam a qualidade de vida.

O Dr. Malcolm Finlay, cardiologista consultor do Barts Heart Center, localizado em Londres, reforça o cenário atual:

"Os betabloqueadores ainda são um tratamento padrão para quase todos que têm um ataque cardíaco no NHS. Se pudéssemos tirar os pacientes deles com segurança, milhares evitariam os efeitos colaterais."

A evolução da medicina e o papel dos betabloqueadores

Quando os betabloqueadores surgiram na década de 1960, representaram uma verdadeira revolução. Eles eram vistos como a melhor arma para evitar novos infartos.

O mecanismo da droga consiste em bloquear hormônios como a adrenalina. Como a adrenalina acelera o ritmo cardíaco e eleva a pressão arterial, contê-la reduz a carga de trabalho do coração, dando suporte ao órgão na recuperação após o choque do ataque.

Ocorre que, nas últimas três décadas, a cardiologia avançou bastante. Surgiram abordagens muito mais potentes e diretas para lidar com infartos.

Entre os avanços está a angioplastia coronária. Esse procedimento cirúrgico insere um balão para reabrir a artéria bloqueada, seguido normalmente pela colocação de um stent, um pequeno tubo de malha que impede o fechamento do vaso.

Mesmo com toda essa evolução tecnológica na medicina moderna, os betabloqueadores continuaram sendo receitados por hábito institucionalizado.

O que diz a nova pesquisa científica

As descobertas que prometem mudar a diretriz médica foram apresentadas no encontro do American College of Cardiology, em Atlanta.

O trabalho acompanhou 5.000 pacientes com histórico de ataque cardíaco recente distribuídos em 45 países. A conclusão principal foi direta: o grupo que realmente se beneficia dos betabloqueadores restringe-se àqueles que desenvolveram insuficiência cardíaca.

A insuficiência cardíaca é uma condição crônica que compromete a capacidade do coração de bombear sangue de maneira eficiente. O detalhe é que apenas metade dos pacientes infartados apresenta esse quadro.

O Dr. Troels Yndigegn, cardiologista intervencionista da Universidade de Lund, na Suécia, e principal autor da investigação, resume o cenário:

"Para pacientes sem sinais de insuficiência cardíaca, este estudo estabelece que não há indicação de que o uso rotineiro de betabloqueadores seja benéfico."

Outras aplicações dos medicamentos

Vale ponderar que os betabloqueadores continuam tendo utilidade comprovada em outras frentes da medicina. Eles seguem firmes no tratamento de:

  • Angina, que é a dor no peito gerada pelo entupimento parcial das artérias coronárias.
  • Fibrilação atrial, quadro caracterizado por batimentos cardíacos irregulares.

Portanto, a restrição apontada pelo estudo vale especificamente para a rotina pós-infarto sem complicações adicionais, preservando o valor terapêutico das pílulas para outras doenças do coração.

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