Ozempic e Mounjaro: Mais de 100 mortes investigadas no Reino Unido

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Injeções de emagrecimento como Mounjaro e Ozempic são associados a mais de 100 mortes no Reino Unido

Mais de 100 casos de morte foram relatados ao regulador britânico de medicamentos após o uso de canetas para perda de peso, incluindo Mounjaro, Wegovy e Ozempic, segundo dados divulgados recentemente.

Embora nenhuma das fatalidades tenha sido comprovadamente ligada diretamente aos medicamentos, autoridades de saúde admitem que os relatos indicam uma suspeita de que os fármacos podem ter contribuído para alguns dos óbitos. A maioria dos casos foi registrada no sistema de notificação de efeitos adversos da Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA), conhecido como Yellow Card Scheme.

Dados revelam preocupação crescente sobre segurança dos medicamentos

De acordo com informações obtidas pela revista Chemist + Druggist, desde que esses compostos foram licenciados no Reino Unido, 111 relatos de mortes foram registrados na base de dados da MHRA até o final de maio.

Esses tratamentos envolvem uma classe terapêutica chamada agonistas do receptor do peptídeo-1 semelhante ao glucagon (GLP-1RAs), amplamente receitados tanto para o controle do diabetes tipo 2 quanto para a gestão do peso corporal.

Os compostos com maior número de notificações associadas aos óbitos são:

  • Liraglutida (Saxenda): 37 relatos
  • Tirzepatida (Mounjaro): 33 relatos
  • Semaglutida (Wegovy/Ozempic): 30 relatos
  • Dulaglutida (Trulicity): 7 relatos
  • Lixisenatida (Lyxumia): 5 relatos

A MHRA informou que muitas dessas ocorrências podem estar ligadas a condições de saúde pré-existentes ou ao uso concomitante de outras drogas, tratando-se possivelmente de coincidências temporais. Ainda assim, a agência mantém o monitoramento constante para rastrear eventuais padrões de risco.

Apesar do volume de notificações, apenas um óbito foi oficialmente associado de forma direta ao uso de Mounjaro no Reino Unido. Trata-se do caso da enfermeira escocesa Susan McGowan, de 58 anos, que faleceu após sofrer falência múltipla de órgãos, pancreatite aguda e choque séptico logo após administrar duas doses.

O episódio acendeu um alerta severo sobre a necessidade de cautela, principalmente quando os fármacos são obtidos por pessoas que não possuem indicação médica real.

Alerta sobre o perigo da automedicação e facilidade de compra online

Profissionais da área médica observam que uma parcela crescente de indivíduos com o peso dentro da faixa saudável está recorrendo a essas substâncias apenas para fins estéticos, com forte apelo entre mulheres jovens em busca de resultados rápidos.

Conforme aponta a Society for Acute Medicine, pronto-socorros têm recebido pacientes com complicações agudas após adquirirem as canetas em plataformas digitais sem qualquer acompanhamento clínico.

A facilidade de acesso via internet sem receita rigorosa transforma uma terapia promissora em um risco desnecessário para a integridade física.

Efeitos colaterais graves e impactos na saúde mental

Além dos cenários mais extremos de internação e óbito, médicos e pacientes relatam uma série de efeitos colaterais graves no dia a dia de quem utiliza os compostos. Entre os sintomas mais frequentes estão:

  • Náusea intensa
  • Vômitos persistentes
  • Diarreia severa
  • Fraturas ósseas
  • Danos dentários
  • Ansiedade e depressão

Várias usuárias também têm compartilhado relatos de instabilidade emocional e desgaste na saúde mental após iniciarem o tratamento com Mounjaro, demonstrando que a perda rápida de peso nem sempre vem acompanhada de bem-estar integral.

Perspectivas e segurança do paciente

Embora os GLP-1RAs representem uma revolução no tratamento da obesidade, a enxurrada de notificações de reações adversas exige rigor na fiscalização sanitária.

Garantir que a inovação farmacológica caminhe lado a lado com a segurança do paciente exige um controle rígido na prescrição, barrando o uso indiscriminado e protejendo a vida de quem busca saúde, mas acaba encontrando perigos ocultos.

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