Mesmo que você não viva com diabetes, provavelmente já ouviu certos termos relacionados à condição, como açúcar no sangue, glicose e insulina.
Outro conceito indispensável com o qual qualquer pessoa em risco ou diagnosticada deve estar familiarizada é a hemoglobina A1c (HbA1c).
A hemoglobina é uma proteína presente nos glóbulos vermelhos do sangue. Embora sua principal função seja transportar oxigênio para os tecidos do corpo, as moléculas de glicose também podem se ligar a ela.
Todo ser humano possui alguma quantidade de açúcar ligada à sua hemoglobina. Veja nosso Ebook sobre como prevenir ou reverter a diabetes.
"Todos nós, diabéticos e não diabéticos, temos níveis de açúcar no sangue que flutuam constantemente", aponta o Dr. David M. Nathan, especialista da Harvard Health Publishing.
No entanto, quem convive com o diabetes apresenta regularmente concentrações mais elevadas de glicose circulando pela corrente sanguínea ao longo do dia.
Entendendo a Diferença entre Glicemia Capilar e HbA1c
Quando alguém mede a glicemia com um teste caseiro de ponta de dedo, obtém um retrato instantâneo do açúcar no sangue naquele exato minuto.
Esse número sobe e desce naturalmente ao longo do dia conforme você se alimenta, pratica atividades físicas ou descansa.
Em contrapartida, o exame de HbA1c revela uma média ponderada dos níveis de açúcar no sangue durante os últimos três meses.
Como a Hemoglobina A1c é Medida?
O médico solicita esse exame por meio de uma simples coleta de sangue. O procedimento pode ser feito com uma picada rápida no dedo ou com a extração de um pequeno tubo de sangue no braço.
O teste pode ser realizado a qualquer hora do dia, e o paciente não precisa estar em jejum.
Os resultados obtidos na ponta do dedo saem na mesma hora. Se o material for enviado para um laboratório tradicional, o laudo costuma ficar pronto em até vinte e quatro horas.
Monitorar a HbA1c regularmente ajuda o médico a avaliar a eficácia do tratamento atual e a antecipar medidas preventivas antes que o quadro evolua.
O que é uma Faixa Normal de HbA1c?
De maneira geral, os valores de referência seguem parâmetros claros para classificar o risco metabólico:
- Abaixo de 5,7%: Indica que o açúcar no sangue está dentro da faixa considerada normal.
- Entre 5,7% e 6,4%: Caracteriza o quadro de pré-diabetes.
- 6,5% ou mais: Aponta para o diagnóstico de diabetes.
Receber um diagnóstico de pré-diabetes não significa um caminho sem volta, mas funciona como um chamado urgente para a ação, reforça o Dr. Nathan.
"É um sinal de alerta de que a glicose está subindo, indicando o momento ideal para perder peso ou adotar hábitos mais ativos antes de repetir o exame", aconselha.
Riscos e Níveis Alvo para Quem Tem Diabetes
Manter a HbA1c elevada por longos períodos é o principal fator de risco para o surgimento de complicações crônicas.
Entre os problemas mais comuns estão as doenças oculares que podem resultar em perda de visão, as doenças renais e as doenças nervosas (neuropatia) capazes de afetar a sensibilidade dos membros.
Embora essas complicações levem anos para se desenvolver, o controle rigoroso da glicemia, da pressão arterial e do colesterol continua sendo a melhor forma de prevenção.
Geralmente, a meta recomendada para muitos adultos com diabetes é manter a HbA1c abaixo de 7%, embora esse patamar possa ser ajustado de forma personalizada pelo médico responsável.
Como Reduzir os Níveis de Açúcar no Sangue
Para diminuir a HbA1c, o tratamento envolve ajustes na rotina alimentar, prática regular de exercícios físicos e, quando necessário, o uso de medicamentos.
Estudos demonstram que eliminar o excesso de peso é uma das estratégias mais potentes. Reduzir entre 7% e 10% do peso corporal total torna as células mais receptivas à insulina.
Estratégias Nutricionais e Movimento
O plano alimentar ideal deve respeitar o estilo de vida e as preferências individuais, priorizando escolhas saudáveis:
- Faça refeições fracionadas ao longo do dia.
- Ocupe a maior parte do prato com vegetais sem amido.
- Escolha fontes de proteínas magras ou vegetais.
- Elimine ou reduza drasticamente o consumo de açúcar adicionado.
- Prefira gorduras benéficas, como o azeite de oliva extra virgem.
- Dê preferência a alimentos integrais em detrimento dos ultraprocessados.
- Beba bastante água regularmente.
No quesito atividade física, o ideal é acumular pelo menos 150 minutos semanais de exercícios aeróbicos moderados, como caminhadas rápidas ou pedaladas.
Caso as mudanças no estilo de vida não sejam suficientes para atingir as metas, o médico poderá indicar opções farmacológicas.
A metformina costuma ser a medicação de primeira escolha no protocolo de tratamento.
Outras alternativas incluem inibidores de DPP-4, agonistas de GLP-1, inibidores de SGLT2, sulfonilureias e a própria insulina, que podem ser incorporadas conforme a necessidade clínica.
Artigo republicado do: Harvard.edu