Estudo revela que ivermectina e fenbendazol podem combater células de câncer de ovário

Pesquisa inicial analisa ação da ivermectina e fenbendazol em células de câncer de ovário. Entenda o que já se sabe e o que ainda falta comprovar.

Pesquisa inicial analisa ação da ivermectina e fenbendazol em células de câncer de ovário. Entenda o que já se sabe e o que ainda falta comprovar.

Durante a reunião anual de 2026 da Associação Americana de Pesquisa do Câncer, organização profissional mais antiga e maior do mundo, pesquisadores Aneth Ochoa Negrete junto com Riyaz Basha, PhD, Vice-Presidente de Pesquisa, Pediatria e Saúde da Mulher, Professor de Pediatria da University of Noth Texas Health Forth Worth e colegas apresentaram resultados preliminares promissores envolvendo dois medicamentos conhecidos: ivermectina e fenbendazol.

Este estudo pré-clínico descobriu que ambos os medicamentos reduziam a sobrevivência das células cancerígenas de forma dependente da dose, especialmente na linhagem celular ES-2 mais agressiva, onde a viabilidade caía para apenas 0,88% em doses mais altas de ivermectina. Embora chamem a atenção, esses resultados vêm de experimentos laboratoriais controlados e ainda não se traduzem em tratamentos comprovados em pacientes.

O estudo indicou que essas substâncias podem reduzir a sobrevivência de células de câncer de ovário em laboratório. No entanto, os próprios dados deixam claro que ainda não se trata de um tratamento comprovado para pacientes. O trabalho foi feito em laboratório, utilizando células humanas de câncer de ovário cultivadas fora do corpo.

Foram analisadas duas linhagens diferentes:

• SKOV3, considerada menos sensível
• ES-2, mais agressiva e com maior resposta aos testes

Os cientistas aplicaram diferentes doses dos medicamentos e mediram, após 48 horas, quantas células permaneciam vivas.

Também foram avaliados dados genéticos públicos para entender a relação com o gene MYC, conhecido por estar ligado ao crescimento do câncer.

Principais resultados observados

Efeito mais forte em células agressivas

Na linhagem ES-2, considerada mais agressiva:

• A ivermectina reduziu a viabilidade celular para cerca de 0,88% em doses mais altas
• O fenbendazol reduziu para aproximadamente 6,97%

Resposta diferente em outro tipo de célula

Na linhagem SKOV3, os resultados foram mais limitados:

• A ivermectina teve efeito menor e variável
• O fenbendazol apresentou desempenho um pouco melhor em comparação

Relação com o gene MYC

A análise mostrou que níveis mais altos do gene MYC estavam associados a pior sobrevivência dos pacientes.

Os pesquisadores apontam que o fenbendazol pode influenciar vias ligadas a esse gene, o que pode ajudar a explicar parte dos efeitos observados.

O que esses resultados realmente significam

Os dados indicam que os dois medicamentos podem afetar células cancerígenas em ambiente controlado de laboratório. No entanto, isso não significa que funcionem como tratamento em seres humanos.

Resultados em células isoladas não refletem a complexidade de um tumor no corpo, que envolve fatores como sistema imunológico, circulação e interação entre tecidos.

Limitações importantes do estudo

Os próprios pesquisadores destacam pontos importantes:

• Não houve testes em animais ou pessoas
• As doses utilizadas podem não ser seguras para uso clínico
• O modelo de laboratório não reproduz o organismo humano
• Não há dados sobre segurança ou efeitos colaterais nesse contexto

O que ainda precisa ser feito

Para que esses medicamentos possam ser considerados em tratamentos, será necessário avançar em várias etapas:

• Estudos em animais
• Avaliações de segurança
• Ensaios clínicos em humanos
• Testes de eficácia em condições reais

Conclusão: evidência inicial, mas sem aplicação clínica

O estudo apresenta evidências iniciais de que ivermectina e fenbendazol podem reduzir o crescimento de células de câncer de ovário em laboratório. No entanto, a relevância desses resultados para o tratamento de pacientes ainda não está comprovada. Mais pesquisas serão necessárias para entender se existe algum potencial terapêutico real e seguro no futuro.