Pesquisadores da Universidade de Montreal e do Instituto de Pesquisa Clínica de Montreal, no Canadá, descobriram uma nova maneira promissora de tratar ou prevenir o diabetes sem intervenção farmacêutica tradicional.
Em um estudo publicado na revista Cell Reports, os cientistas relataram que aumentar a ingestão de vitamina K pode ajudar a reduzir o risco de diabetes. Esse benefício acontece devido à participação desse nutriente em um processo químico chamado gama-carboxilação, que ocorre nas células e otimiza as proteínas secretadas por elas.
O estudo demonstrou que a gama-carboxilação é essencial para o funcionamento adequado das células beta pancreáticas e para a capacidade delas de produzir insulina, o hormônio responsável por induzir as células do corpo a absorver a glicose da corrente sanguínea. Muitas vezes, o desenvolvimento do diabetes está diretamente ligado à insuficiência dessas células ou à baixa produção de insulina.
A ligação direta entre vitamina K e o controle glicêmico
Estatísticas globais mostram que a prevalência de diabetes aumentou significativamente em quase todas as nações nas últimas décadas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o problema como uma epidemia global que causa milhões de mortes a cada ano, além de estar associada a complicações graves como cegueira, insuficiência renal, infarto, derrame e amputações.
Conhecida por atuar como coenzima, a vitamina K é um nutriente lipossolúvel encontrado em diversos alimentos de origem vegetal e animal. A vitamina K atua como uma coenzima para a carboxilase, uma enzima primordial na síntese de proteínas fundamentais para a coagulação sanguínea e para a mineralização óssea.
Além de regular a maturação dos ossos, a osteocalcina carboxilada também atua modulando a expressão de genes de insulina e marcadores de proliferação das células beta. Manter níveis elevados de osteocalcina carboxilada melhora visivelmente a sensibilidade à insulina.
Como a gama-carboxilação protege as células beta
Diversos levantamentos indicam que a baixa ingestão de vitamina K está associada a um risco elevado de desenvolver síndrome metabólica, um conjunto de condições que abrem caminho para doenças cardíacas e diabetes tipo 2.
Pesquisadores observaram que pacientes com obesidade mórbida e baixos níveis de vitamina K apresentam maior propensão ao diabetes, enquanto a suplementação com o nutriente ajuda a reduzir os níveis de glicemia em jejum.
Para entender o mecanismo por trás disso, a equipe canadense realizou testes com células beta de camundongos e humanos. Sob estresse metabólico, as células desprovidas de gama-carboxilação não conseguiram adaptar a secreção de insulina, enquanto o tratamento com vitamina K protegeu as estruturas celulares contra os danos causados pelo excesso de glicose.
Nos testes com humanos, identificou-se uma proteína no retículo endoplasmático chamada EGRP, encarregada de regular a ligação do cálcio. O cálcio intracelular desempenha um papel enorme na liberação de insulina, e sua desregulação é uma marca registrada do diabetes tipo 2.
"Nosso estudo mostra que essa proteína desempenha um papel importante na manutenção dos níveis fisiológicos de cálcio nas células beta, a fim de evitar um distúrbio da secreção de insulina", afirmou a Dra. Julie Lacombe, uma das autoras do estudo, sobre a EGRP.
Onde encontrar as diferentes formas de vitamina K
Este nutriente essencial divide-se principalmente em duas categorias: a filoquinona (vitamina K1) e as menaquinonas (vitamina K2). A primeira pode ser encontrada em vegetais verde-escuros como couve, espinafre, brócolis e repolho. Já a segunda está presente em alimentos fermentados, além de quantidades menores em carnes, ovos e queijos.
Segundo pesquisas publicadas na revista Diabetes Care, o consumo adequado de ambas as formas está associado a um menor risco de desenvolver diabetes tipo 2, com efeitos ainda mais expressivos relacionados à vitamina K2.
Artigo originalmente publicado em: supplementsreport.com