A crise econômica profunda em Cuba tem gerado um cenário devastador para a população idosa. Os aposentados lutam diariamente para sobreviver com pensões mensais de cerca de 10 dólares em meio à escassez severa de alimentos, medicamentos e recursos essenciais.
Após mais de seis décadas de regime centralizado, o país enfrenta um colapso completo em seu sistema de atendimento básico, taxas de natalidade despencando e uma fuga em massa de adultos em idade ativa.
Conforme relatado pelo portal Epoch Times, esse quadro crítico deixa a terceira idade em situação de completo desamparo, sem acesso à farmácias abastecidas ou refeições adequadas.
O colapso na vida dos aposentados
A falta crônica de energia elétrica, combustíveis e mantimentos impulsionou o êxodo contínuo de trabalhadores e gerou protestos persistentes nas ruas da ilha.
Ramon Saul Sanchez, ativista e líder do Movimento pela Democracia em Miami, destaca a gravidade do problema ao afirmar que a ilha está à beira de um colapso humanitário inegável.
Segundo ele, as condições desumanas fazem com que a aposentadoria sirva, na melhor das hipóteses, apenas para comprar uma dúzia de ovos por mês.
“As pessoas realmente não conseguem imaginar, especialmente de fora, que pessoas idosas vivam em condições tão desumanas”, disse Sanchez ao Epoch Times.
“Devido à deterioração da economia e à falta de interesse do regime cubano, eles não estão ajudando aqueles que precisam”, disse ele. “A aposentadoria talvez permita que você compre uma dúzia de ovos por mês. É só isso”.
Crise demográfica e o colapso da saúde
A população cubana envelhece em ritmo acelerado, impulsionada pela baixa natalidade e pela emigração de jovens. O número de aposentados dependentes por cada 100 trabalhadores ativas dispara ano a ano, sobrecarregando a estrutura social.
O setor médico sofre com hospitais sem materiais básicos e total escassez de medicamentos. Pacientes recorrem a soluções improvisadas ou ao mercado negro para tentar tratar doenças crônicas comuns na velhice.
Além disso, a saída de médicos enviados ao exterior ou exilados deixa hospitais operados muitas vezes apenas por estudantes de medicina.
Solidariedade familiar e o bloqueio governamental
Exilados tentam enviar remessas e pacotes de ajuda para parentes na ilha, mas esbarram na burocracia estatal e no confisco de doações por parte de fiscais do governo.
Enquanto os jovens se arriscam em rotas de fuga pelo mar, os idosos que ficam enfrentam a impossibilidade física e financeira de deixar o país.
A situação dos avós cubanos retrata o esgotamento de um modelo que falhou em garantir o mínimo de dignidade para aqueles que construíram o país, deixando um povo à própria sorte.