Senador propõe CPI para investigar inquéritos no STF

Para Alessandro Vieira, Moraes exerceu “medidas incompatíveis com os princípios constitucionais”.

Senador quer abrir CPI para investigar Moraes pelos inquéritos das “milícias digitais” e “fake news”

Senador Alessandro Vieira (Pedro França/Agência Senado)

O cenário político brasileiro ganha um novo capítulo institucional com a movimentação no Senado Federal. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou uma iniciativa para viabilizar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com foco na atuação do ministro Alexandre de Moraes, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF).

O Alvo da Investigação Parlamentar

O objetivo principal da comissão proposta é examinar detalhadamente os procedimentos adotados nos inquéritos conhecidos como das “milícias digitais” e das “fake news”. Ambos os processos tramitam sob a relatoria direta de Moraes.

Diante disso, o parlamentar iniciou formalmente a coleta de assinaturas entre seus pares na última segunda-feira (16). A intenção é obter o apoio necessário para tirar o requerimento do papel e instaurar a comissão.

Argumentos e Irregularidades Apontadas

No texto do requerimento, a conduta do magistrado é questionada sob diversos aspectos jurídicos e procedimentais. O documento enumera supostos desvios que justificariam a abertura da investigação legislativa:

  • Violação direta ao sistema acusatório;
  • Desvio de função na condução das apurações;
  • Inobservância de regras processuais estabelecidas;
  • Prorrogações indefinidas e sem embasamento adequado;
  • Falta de transparência nos autos;
  • Vagueza nos escopos definidos para as investigações.

De acordo com o parlamentar, a proposta busca trazer transparência e apurar eventuais ilicitudes cometidas na condução dessas peças processuais, sempre tendo como parâmetro os ditames constitucionais e legais vigentes.

Limites entre Poderes e Segurança Jurídica

O autor da iniciativa faz questão de pontuar que a intenção da CPI não é atuar como instância revisora ou julgar o mérito das decisões judiciais proferidas, reconhecendo que essa não é a atribuição do Poder Legislativo.

No entanto, o ponto nevrálgico levantado é a restrição ao acesso integral aos fundamentos das decisões. Para a defesa da medida, a opacidade em determinados despachos impede que investigados, defensores constituídos e a opinião pública compreendam os processos, o que fragiliza a segurança jurídica.

Entre as medidas criticadas pelo senador estão a determinação de suspensão de perfis em plataformas digitais e a manutenção de prazos processuais por tempo indeterminado, práticas que ele considera distantes dos princípios constitucionais básicos.

O Debate sobre a Concentração de Poderes

Para o parlamentar, o país vive um impasse alimentado por narrativas polarizadas, onde de um lado aponta-se para tramas institucionais e do outro denuncia-se o uso de medidas de exceção. O senador sustenta que a concentração de atribuições investigativas e julgadoras na figura de um único magistrado subverte a ordem constitucional.

A ausência de mecanismos institucionais efetivos para fiscalizar a atuação interna da Suprema Corte é tratada como uma anomalia que exige debate público e ação legislativa.

Com os trabalhos da comissão, espera-se reunir elementos suficientes para embasar futuras proposições normativas capazes de sanar as lacunas identificadas e assegurar o respeito estrito aos direitos e garantias individuais nas investigações conduzidas no país.

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