Uma nova ação foi movida no início de novembro no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Central da Califórnia. O caso, encabeçado pela demandante Taylor Devorak, traz à tona um debate urgente sobre a responsabilidade das grandes farmacêuticas na divulgação transparente de efeitos colaterais graves associados a medicamentos de uso prolongado.
A moradora de Crestline, Califórnia, desenvolveu um tumor no cérebro após fazer uso regular do medicamento injetável conforme a prescrição médica recebida ao longo de vários anos, de acordo com o The Defender. Agora, Devorak busca responsabilizar a Pfizer por acusações que incluem falha em avisar, design defeituoso, negligência, deturpação e violação de garantia.
O Caminho Até o Diagnóstico
Aos 20 anos, Devorak recebeu de seu provedor na Planned Parenthood a recomendação do Depo-Provera como método contraceptivo. A paciente recebeu 36 injeções regulares da substância, seguindo à risca a posologia recomendada durante um período de nove anos.
No entanto, em agosto de 2018, a rotina da jovem mudou drasticamente. Ela começou a apresentar sintomas preocupantes, como visão embaçada, visão dupla e dificuldade crônica de foco. Exames posteriores revelaram que os sinais estavam diretamente ligados ao meningioma intracraniano, um tumor de crescimento lento que pressionava seu nervo óptico.
Apesar de se submeter a uma cirurgia intracraniana complexa, os médicos não conseguiram remover completamente o tumor. Como consequência direta dessa batalha médica, Devorak continua a sofrer sequelas e danos físicos severos.
A Revelação Científica e a Falta de Alerta
Durante anos, a paciente permaneceu totalmente inconsciente de que sua condição de saúde poderia ter relação direta com o anticoncepcional. A verdade veio à tona apenas quando ela teve acesso a relatos sobre um estudo publicado pelo British Medical Journal (BMJ).
A pesquisa apontou que o uso prolongado de medicamentos compostos por acetato de medroxiprogesterona, a exemplo do Depo-Provera, elevou em assustadores 555% o risco de desenvolvimento de meningioma intracraniano.
Questionada na época da publicação, a Pfizer declarou ao The Guardian que estava ciente do risco potencial. A empresa chegou a atualizar a bula do produto no Reino Unido e na União Europeia, mas optou por manter o mesmo rótulo nos Estados Unidos, omitindo o aviso para as consumidoras americanas.
Pfizer Responderá por sua Negligência
De acordo com a denúncia formalizada no tribunal, a farmacêutica tem o dever legal e moral de se manter atualizada sobre a literatura científica relevante e conduzir suas próprias análises de segurança a longo prazo.
Apesar de existirem pesquisas apontando possíveis ligações com tumores desde antes da droga ser licenciada como contraceptivo em 1992, a companhia negligenciou a investigação desses eventos adversos em mulheres.
Ellen Relkin, advogada do escritório Weitz & Luxenberg responsável por representar Devorak, destacou uma contradição alarmante: a Pfizer inclui o meningioma como possível reação adversa no Canadá desde 2015, privando as mulheres americanas da mesma informação.
A Mobilização Jurídica Contra a Indústria
Enquanto a empresa promove o injetável como um dos métodos mais eficazes do mercado — comercializando também uma versão de dose mais baixa chamada Depo-subQ Provera 104 —, centenas de usuárias permaneceram no escuro.
A queixa de Devorak integra uma onda de processos semelhantes protocolados em tribunais federais. Os representantes legais pretendem unificar os casos em um litígio multidistrital, permitindo a partilha de recursos para criar uma frente sólida capaz de enfrentar o poderio financeiro da indústria farmacêutica.
Para acompanhar atualizações sobre este e outros casos, visite DangerousMedicine.com. - Artigo original publicado em Naturalnews.com