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Alerta aos Pais: Novo Estudo Liga Uso de Tablets e Fiação Elétrica a Tumores Cerebrais em Crianças

Pesquisa inédita publicada na Environmental Research revela que a exposição a campos eletromagnéticos de tablets e linhas de energia aumenta o risco.

Alerta aos Pais: Novo Estudo Liga Uso de Tablets e Fiação Elétrica a Tumores Cerebrais em Crianças

Radiação eletromagnética de linhas de energia e aparelhos pode aumentar o risco de tumores no sistema nervoso central nas crianças, segundo um estudo revisado por pares publicado na Environmental Research. Tumores do sistema nervoso central, como os gliomas, são o "segundo câncer infantil mais comum", escreveram os autores em seu relatório.

Uma nova e preocupante descoberta científica acendeu o alerta para pais e educadores em todo o mundo. Um estudo recente, revisado por pares e publicado na renomada revista Environmental Research, confirmou uma ligação direta entre a exposição diária a campos eletromagnéticos e o aumento do risco de tumores cerebrais na infância.

A pesquisa aponta que não são apenas os celulares que representam um perigo, mas também a radiação vinda de linhas de energia, fiação doméstica e, surpreendentemente, o uso prolongado de tablets, dispositivos que se tornaram onipresentes na vida escolar e doméstica das crianças.

Por que as crianças são mais vulneráveis?

Os autores do estudo explicam que a biologia infantil torna os pequenos muito mais suscetíveis a esses riscos do que os adultos. O sistema nervoso central das crianças ainda está em pleno desenvolvimento, o que exige maior cuidado.

Além disso, existem fatores físicos cruciais: as crianças possuem maior teor de água no corpo e concentrações de íons diferentes, o que torna o tecido cerebral mais condutor de eletricidade. Somado a isso, o crânio infantil é menor e mais fino, permitindo que a radiação eletromagnética penetre mais profundamente no cérebro em comparação com um adulto.

O estudo: Comparando vidas reais

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores realizaram uma análise detalhada na Cidade do México, comparando 200 crianças diagnosticadas com tumores do sistema nervoso central (como gliomas, o segundo câncer infantil mais comum) com um grupo de controle de quase 800 crianças saudáveis. Todas tinham menos de 16 anos.

Os dados foram coletados entre 2017 e 2022, cobrindo o período crítico antes, durante e após o auge da pandemia de COVID-19.

O perigo oculto dos tablets nas escolas e em casa

Um dos achados mais impactantes do estudo refere-se aos tablets. Os pesquisadores observaram um aumento estatisticamente significativo no risco de tumores associado ao uso prolongado desses dispositivos, especialmente quando conectados à internet.

No entanto, o dado mais alarmante é que o risco persistiu mesmo quando as crianças usavam tablets desconectados da internet, sugerindo que a própria eletricidade gerada pelo dispositivo ou a proximidade com a tela emite radiação suficiente para causar danos.

Esse dado é crucial considerando o cenário atual: após a pandemia, o uso de tablets nas escolas disparou. Em setembro de 2021, 96% das escolas públicas dos EUA já forneciam dispositivos digitais aos alunos. Além disso, relatórios indicam que 40% das crianças já possuem um tablet antes mesmo de completarem 2 anos de idade.

E os celulares? O que dizem os especialistas?

O estudo não encontrou uma ligação estatística forte entre o uso de celulares e tumores na amostra geral, exceto em crianças muito pequenas (5 anos ou menos) que usavam o aparelho há mais de quatro anos.

Contudo, especialistas como o Dr. Lennart Hardell, oncologista e epidemiologista renomado, alertam que esses números podem estar subestimados. Segundo ele, os pais tendem a subestimar o tempo de uso dos filhos por não se sentirem confortáveis em admitir que o dispositivo possa ter causado uma doença grave na criança.

Hardell reforça que diversos outros estudos, incluindo uma revisão sistemática de 2025 encomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), já classificaram como de "alta certeza" a ligação entre radiação sem fio e tumores malignos no cérebro e nos nervos.

Linhas de energia e a saúde do lar

Além dos dispositivos eletrônicos, o ambiente físico da casa também foi analisado. O estudo mediu campos magnéticos de frequência extremamente baixa (ELF) nos quartos das crianças durante 24 horas.

Essa radiação é produzida por linhas de energia externas, fiação elétrica interna e equipamentos elétricos. A exposição a esses campos magnéticos tem sido repetidamente associada, em diversas pesquisas, a um risco aumentado de leucemia infantil e outros problemas de saúde.

Impactos além do câncer

Os riscos da exposição eletromagnética não se limitam aos tumores. Estudos anteriores relacionaram a exposição pré-natal e infantil a esses campos magnéticos com um aumento na incidência de:

  • Aborto espontâneo;
  • Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH);
  • Obesidade infantil;
  • Asma.

Conclusão: A necessidade de precaução

Embora os autores do estudo original não tenham respondido a pedidos de comentário adicionais, a mensagem deixada pelos dados é clara. Com o aumento exponencial da tecnologia no cotidiano infantil, a precaução deve ser a regra.

Para pais e responsáveis, isso significa repensar o tempo de tela, evitar que crianças durmam próximas a dispositivos eletrônicos ligados e estar atento à fiação elétrica e à proximidade de linhas de alta tensão nas residências. A saúde do cérebro em desenvolvimento das nossas crianças depende dessas escolhas conscientes.