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Suco de tomate com soja combate marcadores inflamatórios em adultos, aponta ensaio clínico

Estudo clínico indica que a combinação de tomate e soja pode ajudar a reduzir marcadores inflamatórios ligados à obesidade.

Suco de tomate com soja reduz marcadores inflamatórios em adultos, aponta ensaio clínico

Um ensaio clínico recentemente publicado identificou que o consumo diário de suco de tomate enriquecido com soja pode contribuir para a redução de marcadores inflamatórios em adultos com obesidade.

Realizada ao longo de quatro semanas, a pesquisa observou diminuição significativa de três citocinas pró-inflamatórias associadas à inflamação crônica, condição frequentemente relacionada ao desenvolvimento de doenças metabólicas e cardiovasculares.

Participaram do estudo 12 adultos com idade entre 30 e 60 anos e índice de massa corporal entre 30 e 45. Inicialmente, os pesquisadores pretendiam recrutar 30 voluntários, mas a pandemia de COVID-19 interrompeu o processo de seleção.

Durante quatro semanas, os participantes consumiram diariamente um suco contendo 54 miligramas de licopeno e 189,9 miligramas de isoflavonas de soja. Em outra etapa, após um período de intervalo, os voluntários ingeriram uma bebida controle elaborada com tomates de polpa amarela, com baixo teor de carotenoides e sem isoflavonas.

Ao longo do estudo, amostras de sangue e urina foram coletadas antes e depois de cada fase da intervenção para avaliar alterações metabólicas e inflamatórias.

Quais marcadores inflamatórios diminuíram

Os resultados mostraram reduções significativas nos níveis plasmáticos de interleucina-12p70 (IL-12p70), interleucina-5 (IL-5) e fator estimulante de colônias de granulócitos e macrófagos (GM-CSF) após o período de consumo do suco de tomate com soja.

Os pesquisadores também observaram uma tendência de queda no fator de necrose tumoral alfa (TNF-alfa), embora a redução não tenha alcançado significância estatística.

Segundo os autores, essas mudanças não foram registradas durante o período de consumo da bebida controle, o que reforça a hipótese de que os compostos bioativos presentes no tomate e na soja podem exercer efeito anti-inflamatório.

Pequeno número de participantes exige cautela

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam que as diferenças mais relevantes foram observadas nas comparações dentro do próprio grupo, e não entre os dois períodos de intervenção.

Os autores atribuem essa limitação ao tamanho reduzido da amostra, ressaltando a necessidade de estudos clínicos maiores para confirmar os achados.

Licopeno e isoflavonas podem atuar em conjunto

Após quatro semanas de intervenção, os níveis plasmáticos de licopeno aumentaram cerca de 2,5 vezes, alcançando média de 1.298,4 nmol/L. As concentrações de beta-caroteno também dobraram.

O licopeno, pigmento responsável pela coloração vermelha do tomate, e as isoflavonas da soja vêm sendo investigados por seu potencial de modular vias biológicas relacionadas à inflamação crônica, incluindo mecanismos associados ao fator de transcrição NF-kB.

Os pesquisadores sugerem que a combinação entre esses compostos pode oferecer benefícios complementares para a saúde metabólica.

Outros compostos do tomate também podem desempenhar papel importante

A análise metabolômica das amostras de urina revelou que tanto o suco de tomate com soja quanto a bebida controle aumentaram metabólitos derivados de flavonoides e ácidos fenólicos presentes no tomate.

Entre eles, destacam-se compostos relacionados à naringenina, um flavonoide que já demonstrou potencial anti-inflamatório em estudos experimentais.

Os pesquisadores também observaram uma redução aproximada de 50% nas acilcarnitinas de cadeia média, metabólitos frequentemente elevados em quadros de inflamação crônica associados à obesidade.

Esses resultados indicam que os benefícios observados podem ir além do licopeno, envolvendo a interação de diversos fitoquímicos naturalmente presentes no alimento.

Microbioma intestinal influencia a resposta à soja

O estudo também reforçou a importância da microbiota intestinal na metabolização das isoflavonas da soja. Após o consumo do suco enriquecido, os pesquisadores identificaram aumentos expressivos em metabólitos produzidos por bactérias intestinais a partir da genisteína e da daidzeína.

Apenas uma parcela dos participantes foi classificada como produtora de equol, composto derivado da daidzeína associado a possíveis benefícios metabólicos.

Segundo os autores, diferenças individuais na composição do microbioma podem influenciar diretamente a forma como cada organismo responde aos alimentos à base de soja.

O que os resultados significam na prática

A inflamação crônica de baixo grau é considerada um dos principais fatores associados ao desenvolvimento de doenças como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e síndrome metabólica.

Embora os resultados ainda precisem ser confirmados em estudos mais amplos, o ensaio sugere que estratégias alimentares baseadas em alimentos ricos em compostos bioativos podem contribuir para o controle da inflamação.

Os autores destacam ainda que produtos processados de tomate podem aumentar a biodisponibilidade do licopeno, enquanto a combinação com soja pode potencializar os efeitos metabólicos.

Produto relacionado

Para quem busca aumentar o consumo de compostos antioxidantes no dia a dia, produtos à base de licopeno ou proteínas vegetais podem complementar uma rotina alimentar equilibrada. Antes de iniciar qualquer suplementação, é importante consultar um profissional de saúde.