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Os flavanóis do cacau podem proteger o coração e reduzir a inflamação

Descubra como os flavanóis do cacau podem proteger o coração e reduzir a inflamação, segundo estudos científicos. Saiba mais.

Os flavanóis do cacau podem proteger o coração e reduzir a inflamação

Os compostos naturais presentes no cacau voltaram ao centro das pesquisas científicas após um novo estudo apontar que eles podem ajudar a reduzir a inflamação relacionada ao envelhecimento e, consequentemente, favorecer a saúde cardiovascular. 

Os resultados reforçam o interesse dos pesquisadores pelos flavanóis, substâncias antioxidantes encontradas nos grãos de cacau que já haviam demonstrado benefícios em estudos anteriores. O benefício foi identificado em suplementos padronizados de extrato de cacau ricos em flavanóis, administrados em doses controladas durante um longo período.

A pesquisa foi publicada na revista científica Age and Ageing e integra o COcoa Supplement and Multivitamin Outcomes Study (COSMOS), um grande ensaio clínico que investiga os efeitos do extrato de cacau e dos multivitamínicos em adultos mais velhos.

Os pesquisadores acompanharam 598 participantes durante dois anos, realizando análises de sangue no início, durante e ao final do estudo. O principal objetivo foi avaliar biomarcadores relacionados ao processo conhecido como inflamação associada ao envelhecimento, também chamado de inflammaging.

Segundo o estudo publicado na Age and Ageing, os participantes que utilizaram diariamente suplementos de extrato de cacau apresentaram uma redução aproximada de 8% ao ano nos níveis da proteína C-reativa de alta sensibilidade (hsCRP), um marcador frequentemente utilizado para avaliar processos inflamatórios e associado a maior risco de doenças cardiovasculares.

O que é a inflamação relacionada ao envelhecimento?

Com o passar dos anos, o organismo pode desenvolver um estado persistente de inflamação de baixa intensidade. Esse fenômeno, conhecido como inflammaging, tem sido relacionado por diversos estudos ao aumento do risco de doenças crônicas, incluindo problemas cardiovasculares, diabetes tipo 2 e outras condições associadas ao envelhecimento.

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Embora essa inflamação nem sempre provoque sintomas perceptíveis, ela pode contribuir gradualmente para alterações nos vasos sanguíneos e em diferentes tecidos do organismo. Por esse motivo, identificar estratégias capazes de reduzir esse processo inflamatório tornou-se uma importante linha de pesquisa na medicina preventiva.

Os flavanóis são os principais responsáveis pelos benefícios

Os pesquisadores atribuem os efeitos observados aos flavanóis do cacau, compostos naturais pertencentes ao grupo dos polifenóis.

Essas substâncias possuem ação antioxidante, ajudando a neutralizar radicais livres e reduzir processos relacionados ao estresse oxidativo. Conforme descreve a revisão científica publicada na revista Chemico-Biological Interactions, os flavonoides desempenham papel importante na modulação da inflamação e de diversos mecanismos biológicos envolvidos nas doenças humanas.

De acordo com Howard D. Sesso, professor associado da Divisão de Medicina Preventiva do Brigham and Women's Hospital e um dos autores do estudo, os flavanóis presentes no extrato de cacau podem melhorar diferentes mecanismos vasculares além da redução da proteína C-reativa.

Resultados anteriores reforçam os achados

Os novos dados complementam uma pesquisa anterior do próprio estudo COSMOS, que acompanhou mais de 21 mil adultos idosos.

Segundo os resultados publicados no The American Journal of Clinical Nutrition, os participantes que receberam suplementação de flavanóis de cacau apresentaram redução de 27% nas mortes por causas cardiovasculares, além de menor ocorrência de eventos cardiovasculares graves.

Embora esses resultados sejam considerados relevantes, os pesquisadores destacam que eles devem ser interpretados em conjunto com outras evidências científicas e não representam uma solução isolada para prevenir doenças cardíacas.

Comer chocolate produz o mesmo efeito?

Apesar da associação imediata entre cacau e chocolate, os especialistas explicam que os dois não oferecem necessariamente a mesma quantidade de flavanóis.

Durante o processamento industrial, parte significativa desses compostos pode ser perdida. Além disso, muitas barras de chocolate contêm elevados teores de açúcar, gordura saturada e ingredientes adicionais que não estavam presentes nos suplementos utilizados na pesquisa.

A nutricionista Lauri Wright, professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade do Sul da Flórida (USF), ressalta que os resultados não significam que consumir mais chocolate seja equivalente ao uso do extrato de cacau estudado.

Segundo a especialista, alcançar aproximadamente 500 mg de flavanóis apenas por meio do chocolate pode ser bastante difícil, além de aumentar significativamente a ingestão de calorias. Embora a descoberta seja promissora, os especialistas alertam que isso não significa que consumir mais chocolate produza os mesmos efeitos observados nas pesquisas

Vale a pena tomar suplementos de extrato de cacau?

Embora o estudo apresente resultados promissores, os especialistas recomendam cautela antes de recorrer diretamente à suplementação.

A orientação é priorizar uma alimentação equilibrada e rica em alimentos naturalmente fontes de flavanóis e outros antioxidantes, como:

  • Chocolate amargo com maior teor de cacau e pouco processamento;
  • Frutas vermelhas;
  • Uvas;
  • Chá;
  • Outros alimentos ricos em polifenóis.

Esses alimentos fornecem não apenas flavanóis, mas também fibras, vitaminas e diversos compostos bioativos importantes para a saúde. Além disso, fatores como alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado e controle de outros fatores de risco continuam sendo fundamentais para a prevenção das doenças cardiovasculares.

O que os resultados realmente significam

Os autores enfatizam que a redução observada na proteína C-reativa representa um indicador positivo, mas não constitui, isoladamente, prova definitiva de prevenção de doenças.

Os flavanóis do cacau demonstraram potencial para contribuir com a saúde cardiovascular dentro do contexto estudado, porém novas pesquisas continuam sendo necessárias para compreender plenamente seus efeitos a longo prazo em diferentes populações.

Enquanto isso, as evidências reforçam que uma dieta rica em alimentos naturais, aliada a hábitos saudáveis, permanece sendo a estratégia mais consistente para reduzir inflamações crônicas e preservar a saúde do coração ao longo da vida.

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